Pesquisa global mostra que jornalistas não estão acompanhando revolução digital, mas traz sinais positivos sobre América Latina

Blog, InformaMídia, Notícias 30 de outubro de 2017

Por Teresa Mioli via Journalism in the Americas

Ao redor do mundo, jornalistas não estão acompanhando a revolução digital. Esta é uma das conclusões de uma pesquisa recente do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, na sigla em inglês), “O Estado da Tecnologia em Redações Globais”.

“Apesar das vantagens em abraçar a tecnologia, jornalistas simplesmente não estão acompanhando as transformações que estão varrendo a indústria”, disse Joyce Barnathan, presidente do ICFJ. “Este estudo aponta as lacunas, o que nos ajuda a entender como avançar agora mesmo em tudo, desde treinamento nas redações até segurança digital.”

Ainda assim, a pesquisa descobriu pontos notáveis em redações latino-americanas, onde organizações jornalísticas híbridas estão em ascensão e jornalistas lideram mundialmente em uso de mídias sociais. Entretanto, o estudo do ICJF também confirmou constatações independentes de que a maioria dos jornalistas latino-americanos não estão fazendo o suficiente em relação à segurança digital.

Estes e outros resultados foram apresentados no lançamento do relatório do ICJF, na conferência da Associação de Notícias Online (ONA, na sigla em inglês), no dia 5 de outubro, em Washington

Esta é a “primeira pesquisa sobre a adoção de tecnologias digitais em meios jornalísticos do mundo todo”, de acordo com a organização, que trabalhou em parceria com a Universidade de Georgetown para realizar o estudo.

Abaixo estão as principais conclusões a partir dos questionários coletados ao redor do mundo:

  • Há uma grave lacuna tecnológica nas salas de redação
  • Redações exclusivamente digitais e redações híbridas estão em ascensão
  • Nem todos os jornalistas estão utilizando ferramentas de verificação nas redes sociais ou protegendo suas comunicações
  • A maioria das redações considera que ganhar a confiança do público é um desafio
  • Precisamos rapidamente encontrar novos modelos de geração de receita
  • As redações precisam utilizar dados analíticos na tomada de decisões
  • A maioria dos funcionários nas redações são jovens
  • Os jornalistas querem treinamento que não está sendo oferecido pelos empregadores

O questionário foi disponibilizado em 12 idiomas, incluindo Espanhol, Português e Inglês, e foram recebidas respostas de 2.053 jornalistas e 728 diretores de redação de 130 países.

Na América Latina e no Caribe, 427 jornalistas (21% dos respondentes) e 137 redações (19%) participaram da pesquisa entre fevereiro e abril de 2017.

Os seguintes países da região participaram do estudo: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Granada, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, Santa Lúcia, Suriname, Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela.

Embora o ICFJ ainda esteja para divulgar informação regional mais detalhada nos próximos meses, que pretende apresentar em um formato interativo, alguns dados sobre a América Latina já estão disponíveis.

— Redações tradicionais estão em declínio no mundo todo, e a América Latina não é uma exceção. A maioria das redações pesquisadas na região é o que o estudo classifica como híbridas, o que significa que elas usam uma combinação de formatos tradicionais e digitais. A segunda mais comum é a redação digital, seguida pela tradicional.

Resultados para a América Latina da pesquisa do ICFJ “O Estado da Tecnologia em Redações Globais”

 

— Em termos de plataformas primariamente usadas por redações na América Latina para disseminar informação, 42% usa websites. Os jornais impressos são os próximos da fila, com 26%.

— Sobre outras plataformas para disseminar notícias, quase 100% das redações na América Latina usam o Facebook (mais do que em qualquer outra região), 86% usam Twitter e 66% usam YouTube. Redações latino-americanas estão apenas em segundo lugar, depois da América do Norte, no uso do Twitter e do YouTube.

— Em relação ao tamanho da equipe ao longo do ano passado, 42% das redações da região permaneceram as mesmas, enquanto 32% encolheram e 27% aumentaram.

— Em termos de tecnologia, 67% das redações têm uma equipe de tecnologia, 66% têm equipes de gerenciamento de TI e do website, 65% têm equipes voltadas para as redes sociais, 50% têm equipes multimídia, 37% têm equipes de dados analíticos, 14% têm equipes de design UX e 11% têm equipes de desenvolvimento de produtos e aplicativos.

— 53% dos jornalistas na América Latina e no Caribe usam aplicativos de mensagens instantâneas, índice menor somente do que o do Leste/Sudeste da Ásia (57%).

— Para engajar o público leitor, 95% dos jornalistas da região que participaram da pesquisa usam nas  redes sociais, 40% usam mecanismos de pesquisa, 38% usam email, 28% usam aplicativos de mensagens instantâneas e 25% usam newsletters digitais.

Resultados para a América Latina da pesquisa do ICFJ “O Estado da Tecnologia em Redações Globais”

 

— Em comparação com o resto do mundo, as redações latino-americanas estão atrasadas em termos de segurança digital: apenas 38% delas tomaram medidas de segurança.

— 57% das redações latino-americanas considera que conquistar a confiança dos leitores é um grande desafio.

— Os principais desafios apontados por redações latino-americanas são: a instabilidade das fontes de renda, a conquista de um público leal e a criação de conteúdo de qualidade. A pesquisa descobriu que as redações dos países em desenvolvimento são as que têm mais dificuldades com as mudanças nos modelos de negócio e em identificar novas fontes de receita. “Mais de 70% das organizações na África Subsaariana e na América Latina e no Caribe” consideram este o maior desafio.

No entanto, o estudo concluiu que, globalmente, “redações inteiramente digitais têm duas vezes mais chance do que redações híbridas de conseguir gerar renda a partir de fontes alternativas.”

“Foi fascinante ver que mídias inteiramente digitais têm se saído melhor do que mídias tradicionais em diversificar fontes de renda no mundo todo. Isso confirma que o que estamos aprendendo em nosso trabalho com empreendedores de mídias digitais na América Latina é parte de uma tendência global”, disse Janine Warner, ICFJ Knight Fellow e cofundadora da SembraMedia, uma organização sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento do empreendedorismo em mídias digitais na América Latina e na Espanha.

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