Artigo – Inteligência Social: a fragilidade dos líderes brasileiros

M&S 12 de setembro de 2012

Por Elisabete Oliveira

De acordo com um estudo realizado pela Fundação Dom Cabral, há uma fragilidade significativa na competência de Inteligência Social entre os líderes do país. Inicialmente falava-se em Inteligência múltipla, inteligência intelectual, depois passou à inteligência emocional e inteligência social, e já se fala em outros tipos de inteligência, dentre elas a espiritual.

Considerando o foco do estudo, minha experiência, infelizmente, reforça os resultados! A verdade é que temos muito a evoluir em vários pontos e em várias dessas capacidades. Com holofotes na inteligência social, vale discorrer sobre o conceito dessa competência, podendo simplificar em duas grandes habilidades.

Empatia: capacidade de compreender os outros; se colocar no lugar do outro; desenvolver pessoas; orientar-se a serviço dos demais; usar a diversidade; percepção política e etc…

Habilidade social: capacidade de influenciar; de se comunicar; de gerenciar conflitos; de catalisar mudanças; colaborar; trabalhar em equipe, entre outros.

A partir de uma analise minuciosa do ambiente organizacional, ainda é muito comum encontrarmos líderes com dificuldades para se posicionarem como tal. Algumas vezes, por pura falta de preparo e em nome de um mercado aquecido, “pular-se” etapas de treinamento e desenvolvimento a fim de atender as demandas.

Outras vezes, a dificuldade passa pela inteligência emocional. Neste cenário, conhecido como autoconhecimento, como conduzir e desenvolver outros se não se tem consciência do próprio funcionamento? A realidade explícita, cada vez mais, afirma que, o autoconhecimento é a chave de uma carreira e vida de sucesso. Simples assim!

Quanto mais consciência a pessoa tem sobre si mesma, melhor e maiores as chances de se fazer autogerenciamento e viver seus valores. De promover auto-observação e entender-se no contexto, seja ele qual for, de ter clareza sobre suas fortalezas e pontos de deficiência. Com um nível maior de maturidade, soma-se a humildade para buscar desenvolver esses pontos, aceitar ajuda, ou mesmo, fazer “trocas saudáveis” com quem é mestre ou possui essas competências melhores desenvolvidas.

Ciente disso, começamos a falar então da inteligência social, onde podemos olhar para o ambiente e ter claro o impacto de nossas ações, o que fazer e estimular a fim de conduzir um time para objetivos comuns. Criar estratégias para formação de culturas de avaliação, feedback, trabalho em equipe, foco no planejamento e tudo o que precisa para sustentar o crescimento e o desenvolvimento de ambientes de trabalhos mais saudáveis.

E saudável é a palavra chave, diretamente associada à inteligência social, pois as consequências podem ser graves e até avassaladoras. Considere por exemplo, o efeito de um líder tóxico. No mínimo as organizações apresentam-se “doentes”. Pessoas estressadas, cansadas física e emocionalmente. Abalos psicológicos e sociais, assedio moral e outros sinais de violência que prejudicam os resultados da organização, podem compromete a vida de todos – internos e externos a aquele ambiente.

Costumo dizer que estamos vivendo um período muito importante na história da humanidade. Temos diferentes gerações dentro da mesma organização, soma-se a isso a era da informação, uma cultura de consumo e competição que é reforçada o tempo todo. Com isso, muitos entram no famoso “piloto automático” e adota a frase “deixe a vida me levar”, sem se dar conta da nossa responsabilidade neste cenário e mais do que isso, da nossa contribuição para esse panorama doente.

O que é anormal passa a ser visto como corriqueiro, como antidepressivo para jovens, – seja ela de qualquer natureza – para dar conta de algo e se manter “falsamente” competitivo no mercado, com pouco questionamento, respeito pelo próximo, capacidade de autoconcentração, valor e consideração pela vida, no sentido mais amplo da palavra.

O cenário é triste, mas precisamos reverter e isso se tornará realidade á medida em que tivermos a consciência de nossas atitudes e ações conosco e para com o mundo. Tenha consciência e promova autoconhecimento e então estará atuando no nível do universo e promovendo mudanças a fim de reescrever modelos reforçados culturalmente e alimentados a cada geração.

Se libertar dessas amarras significa um novo olhar e uma atuação mais consciente, responsável e saudável para consigo mesmo, além do uso inteligente das emoções e das relações sociais. Como está a qualidade de suas relações? E qual a sua parcela de contribuição neste cenário? Boa reflexão e boa semana!

Elisabete Oliveira é consultora na M&S, consultoria de desenvolvimento humano.

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