Artigo – Assessor de imprensa e jornalista: é possível um bom relacionamento?

InformaMídia 8 de setembro de 2011

Por Morgana Almeida

O assessor de imprensa tem se tornado uma peça fundamental no cotidiano dos jornalistas que atuam em redação. São eles que fazem o elo entre a imprensa e as empresas, que são fontes preciosas para o trabalho de reportagem. Entretanto, alguns erros e deslizes acabam por detonar essa relação que tinha tudo para ser extremamente proveitosa.

Um dos erros mais comuns está no envio de releases. Instrumento de trabalho fundamental em uma assessoria de imprensa, ele vem perdendo forças devido à maneira como vem sendo utilizado. Com o surgimento de softwares capazes de reunir em segundos contatos de centenas de jornalistas de todo o país, o volume de releases que chegam às redações por e-mail é gigantesco. Desta maneira, fica mais difícil separar o joio do trigo.

Outro equívoco frequente é preocupa-se mais com a quantidade do que com a qualidade. Por exemplo, não adianta enviar um release de interesse econômico para a editoria de esportes ou de beleza para a área de política. Não se pode ignorar as estratégias de divulgação, comprometendo assim sua eficiência e objetividade.

Um bom assessor precisa, antes de tudo, conhecer a rotina de uma redação. O jornalista rabisca idéias, elabora a pauta, busca informações, rabisca um pouco mais, procura dados e corre atrás das fontes. Tudo isso, sob a pressão do editor e o barulho quase insuportável do vai e vem dos colegas.

Enquanto isso, o assessor de imprensa, que hoje atua muito mais como um assessor de comunicação estratégica, discute ações com seus clientes. Uma boa assessoria é aquela que busca não apenas vender os serviços ou produtos de seus clientes para a mídia, mas sim, divulgar informações que sejam úteis e de interesse do jornalista e principalmente do público de cada veículo.

Em suma, o trabalho de um, completa o do outro. O grande erro de um assessor está no exagero, na insistência não fundamentada. Alguns jornalistas não querem nem ouvir falar em assessor, pois, logo imaginam, entre outras coisas, que eles só querem um espaço no veículo para promover seus clientes. Eis que nasce o termo “atrapalhadores de imprensa”, que denomina os maus profissionais.

O apelido é amplamente utilizado, em especial para os assessores que impedem o contato dos jornalistas com a fonte, pedindo para que as pautas sejam enviadas previamente por e-mail, ou para os que nem ao menos dão um retorno sobre a possibilidade de se conceder uma entrevista.

E não são só os jornalistas que atuam em grandes redações que sofrem com a falta de profissionalismo. Como estudante, já sinto na pele as dificuldades. As solicitações demoram semanas para serem respondidas, principalmente quando se trata de órgãos públicos. É por conta disso que muitos futuros comunicólogos já entram no mercado com esta rixa contra os assessores na cabeça.

Felizmente, há bons exemplos no mercado, que merecem servir de modelo para todas as agências de assessoria de imprensa. Profissionais que trabalham com estratégias bem fundamentadas, onde fazer o cliente aparecer a qualquer custo não é objetivo principal.

Para haver mudanças, é preciso quebrar paradigmas. No fundo, todos são profissionais de comunicação e não rivais numa partida de futebol. As áreas são complementares e devem se ajudar, criando relacionamentos sólidos e duradouros. As recompensas serão de ambos. Vale a pena dar uma trégua.

Morgana Almeida é estudante de jornalismo e estagiária na InformaMídia Comunicação, agência especializada em assessoria de imprensa e estratégia para pequenas e médias empresas.

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